“Lowboy” traduzido no Brasil com o belo nome “Afluentes do rio silencioso” é um retrato de nossa época. Foi lançado há 16 anos, contando a história de um adolescente de 16 anos com esquizofrenia paranóide.
Um jovem Schreber no século XXI em Nova Iorque nos apresentando todos as fantasias, medos e clichês do adoecimento mental. É interessante pensar o que mudou nesses 16 anos.
O livro é um thriller, há um mistério um tanto despercebido e a urgência para encontrar o protagonista, que fugiu. Para mim, o fim foi triste e repetitivo. Imagino que na época do lançamento foi percebido como provocante e disruptivo.
Spoiler não existe, porque a experiência de cada um com cada história é única, mas se não quiser saber sobre o desenrolar do livro, pare de ler aqui.
O segredo da história é que a mãe do Lowboy também é esquizofrênica, mas que ela conseguia manejar sua condição, diferente do filho que ficou violento. Há um momento anterior onde o detetive e a mãe conversam sobre esquizofrenia, e Lateef, o policial, critica a teoria da psicogênese, que localiza na relação entre mãe e criança a “causa” do adoecimento. Ele então comenta que parece que a causa da esquizofrenia é genética. Essa dupla virada, que nos leva ao mesmo lugar, no fim das contas, é um momento de encontro em meio ao estranhamento intenso, do adoecimento psíquico, do estrangeirismo e da cidade grande que o livro traz: a perspectiva do Lowboy, de Yda, a mãe dele, e do investigador Lateef.
Trechos do livro:
“Você sabe que não dá para se livrar de um rio, certo? Só se pode cavar mais fundo.”
“Só quando se pensa nas coisas é que elas se tornam difíceis de serem executadas, ele refletiu.”
