Resenha do livro “Lowboy/Afluentes do rio silencioso” (2010)

“Lowboy” traduzido no Brasil com o belo nome “Afluentes do rio silencioso” é um retrato de nossa época. Foi lançado há 16 anos, contando a história de um adolescente de 16 anos com esquizofrenia paranóide.  Um jovem Schreber no século XXI em Nova Iorque nos apresentando todos as fantasias, medos e clichês do adoecimento mental.…

“Lowboy” traduzido no Brasil com o belo nome “Afluentes do rio silencioso” é um retrato de nossa época. Foi lançado há 16 anos, contando a história de um adolescente de 16 anos com esquizofrenia paranóide. 

Um jovem Schreber no século XXI em Nova Iorque nos apresentando todos as fantasias, medos e clichês do adoecimento mental. É interessante pensar o que mudou nesses 16 anos. 

O livro é um thriller, há um mistério um tanto despercebido e a urgência para encontrar o protagonista, que fugiu. Para mim, o fim foi triste e repetitivo. Imagino que na época do lançamento foi percebido como provocante e disruptivo. 

Spoiler não existe, porque a experiência de cada um com cada história é única, mas se não quiser saber sobre o desenrolar do livro, pare de ler aqui.

O segredo da história é que a mãe do Lowboy também é esquizofrênica, mas que ela conseguia manejar sua condição, diferente do filho que ficou violento. Há um momento anterior onde o detetive e a mãe conversam sobre esquizofrenia, e Lateef, o policial, critica a teoria da psicogênese, que localiza na relação entre mãe e criança a “causa” do adoecimento. Ele então comenta que parece que a causa da esquizofrenia é genética. Essa dupla virada, que nos leva ao mesmo lugar, no fim das contas, é um momento de encontro em meio ao estranhamento intenso, do adoecimento psíquico, do estrangeirismo e da cidade grande que o livro traz: a perspectiva do Lowboy, de Yda, a mãe dele, e do investigador Lateef. 

Trechos do livro:

“Você sabe que não dá para se livrar de um rio, certo? Só se pode cavar mais fundo.”

“Só quando se pensa nas coisas é que elas se tornam difíceis de serem executadas, ele refletiu.”