
“A psicanálise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que devemos evitar.” Sigmund Freud
(Cecilia Meireles)


Cintia Ozaki Travassos
Sou graduada em Biomedicina e em Psicologia, ambos pela Universidade Federal de Uberlândia. Trabalho como psicanalista fazendo atendimentos online em Português e em Inglês.
A Psicanálise é um tratamento clínico pela fala para sofrimentos psíquicos. Atualmente utilizamos outros nomes para falar deles: depressão, ansiedade, compulsão…
No atendimento clínico, buscamos entender como o seu sofrimento se articula a sua vida. A partir disso, construímos formas mais interessantes de lidar com os desafios, dores e dificuldades.
Num trabalho psicanalítico, entendemos que nossas maiores dificuldades são também nossas fontes de criatividade e potência. Nosso desafio é articular as duas partes para poder desfrutar de uma vida mais interessante.
Nas sessões, o paciente fala dos problemas e questões, do que ele espera do tratamento e conta sobre o que gostaria de refletir da própria vida: os relacionamentos, projetos, planos, sonhos, trabalho e o que mais ele julgar interessante.

DÚVIDAS
Existem diferentes terapias, que são constituídas a partir de diferentes concepções de saúde, adoecimento e tratamento. Ou seja, a partir dos diferentes objetivos e métodos de tratamento, temos diversas escolas de terapia: Psicanálises, Humanismos, Teorias Cognitivas, Behaviorismo e outras.
A Psicanálise é uma tipo de psicoterapia, concebida a partir da noção de conflitos – somos seres que se constituem no conflito. “Eu quero uma coisa, mas preciso ou devo fazer outra… Quero descansar, mas preciso trabalhar. Quero o brigadeiro, mas estou de dieta. Tenho que cumprir o que combinei com minha família, mas queria mesmo era fazer outra coisa!” – e da importância constitutiva dos relacionamentos familiares e sociais.
Criamos grandes tramas de sofrimento a partir do desencontro de expectativas, exigências e compromissos. A Psicanálise propõe olhar honestamente para o que faz sentido para cada um e buscar articular isso a formas mais vivas e inteiras de se relacionar. De alguma maneira, acabamos sendo o nosso pior inimigo. E a única forma de transformar isso é entender essa relação e trabalhar para criar outras mais atrativas e potentes.
Quanto tempo você levou para aprender a andar? Para aprender a falar? Para aprender a dirigir – bem, de verdade e de um jeito que você julga interessante, não só a partir da autorização da CNH?
Da mesma forma, como não há uma estimativa única de quanto tempo alguém leva para aprender a nadar, a falar inglês ou tocar um instrumento – porque isso depende de tantas coisas: Qual é o objetivo? Nadar por diversão ou para atravessar o oceano? Competir nas Olimpíadas? – não é possível estabelecer uma duração de tratamento geral. Essa resposta é única para cada paciente.
É preciso avaliar os diferentes pontos partidas, as possibilidades (qual a frequência do trabalho, quais são os seus sintomas, você tem acesso à outros profissionais?) e os objetivos de cada um (o que você espera do seu tratamento? O que você avalia como melhora?) para pensar quanto tempo cuidar de você e transformar a sua vida vai levar.
Em última instância, numa Psicanálise, trabalhamos o respeito a cada um: o paciente é quem decide por quanto tempo ele se dispõe a cuidar das próprias questões e até onde ele topa ir com o trabalho psicanalítico.
Numa Psicanálise, o valor de sessão tem uma função de intervenção analítica. O dinheiro é o tabu do nosso tempo e numa Psicanálise falamos sobre tudo aquilo que causa vergonha, dificuldade e questão. Além disso, o dinheiro é organizador da nossa sociedade. Como é limitado, e também custa nosso tempo e trabalho, nos faz escolher: vou colocar o dinheiro aqui, vou pagar isso ou aquilo. Qual valor você está disposto a pagar pelo seu cuidado? Quanto custa transformar sua vida?
É a partir desses aspectos que determinamos juntos o valor da sessão. A Psicanálise é um trabalho ativo, de escolhas. Eu preciso te escutar para avaliar como vai ser o trabalho, a frequência e também suas possibilidades e, então, combinamos um valor que seja importante, afinal, é um trabalho impossível de precificar – quanto vale o seu bem-estar? –, mas que também seja possível e sustentável.
Se você tem algum sofrimento, sintoma ou questão – conflito, paralisia, dificuldade, medo – que te impede de desfrutar da vida e realizar o que você gostaria de fazer, a Psicanálise pode ser um lugar de trabalho importante para você.
Se você topa trabalhar, se quer construir saídas e formas de viver autênticas – suas, a partir do que você entende como importantes para você – ou seja, se as respostas prontas, e o senso comum não fazem sentido para você, se você busca transformações profundas e também topa pagar o preço delas: trabalho, tempo e comprometimento, a Psicanálise pode ser um espaço de cuidado e de construção interessantes para você. Essa resposta, no fim das contas, ninguém pode dar. Você mesmo precisa construir a partir da sua experiência com um psicanalista. Isso me interessa ou não?
Essa pergunta é pertinente a qualquer trabalho terapêutico: este trabalho está sendo eficaz para mim? Não temos garantias, a priori, de saída, com nada na vida no fim das contas. Ir para a faculdade não é garantia de emprego. Se matricular na academia não garante o corpo dos sonhos.
Da mesma forma, não podemos afirmar que este ou aquele psicanalista ou que esta modalidade, seja online ou seja presencial, garante algo. Nenhum profissional sério, aliás, seja da Psicanálise ou de qualquer outro campo, garante resultados, porque isso depende de tantos fatores: as possibilidades, necessidades e o tempo de cada um para entender o que funciona ou não para você.
Agora, se a pergunta se refere à teoria que embasa a prática e aos resultados clínicos da Psicanálise: Sim, a Psicanálise é o trabalho pela fala e isso pode ser feito nos atendimentos online. Se há um dispositivo que permite a fala por associação-livre e a escuta flutuante, é possível trabalhar com a Psicanálise, seja o telefone, um software ou um consultório físico com poltronas e divã.
Nos consultórios físicos, utilizamos o divã exatamente para retirar o olhar da jogada, ou seja, poder focar na fala. Os dispositivos online permitem isso. O encontro passa a acontecer pela plataforma online, mas todos os aspectos do setting analítico se mantém: o trabalho da transferência; a fala como material de trabalho; os combinados e compromisso com o horário, pagamento e frequência; ou seja, o consultório online amplia as possibilidades de trabalho, já que as barreiras geográficas deixam de impedir o tratamento. Há ainda a novidade de poder realmente escolher o psicanalista com quem temos uma transferência de trabalho, em outras palavras, verdadeiramente escolher, e não apenas se contentar com o que está mais perto ou que é mais cômodo.
Uma Psicanálise nos lembra que o preço que pagamos por não fazer o que queremos de verdade é sempre muito mais caro.
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Clínica Psicanalítica – Textos técnicos Freudianos

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“Nossos complexos, (…), são a fonte de nossa fraqueza; mas com frequência são também a fonte de nossa força.” Sigmund Freud
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